25 agosto, 2012

Viajei. Por fim, viajamos.

No final de uma tarde de uma quarta-feira qualquer, vi você passando pelo outro lado da rua. Como se o calçamento mal feito, fosse uma incrível passarela, você desfilava magnificamente. Eu estava andando, e conversando, quando você olhou para o lado, e sem querer, me viu. Neste exato momento, eu comecei a viajar nos nossos momentos. Sabe, pensei em tudo. Tudo o que nós vivemos em exatas 3 semanas. E inclusive, no que nós poderíamos ter vivido. Lembro de todos os momentos, dos mínimos detalhes, como se eles tivessem sido vividos à minutos, segundos atrás. Na primeira semana, declaramos nosso amor, um para o outro, de uma forma, diferente. Sim, eu lembro das cartas perfumadas que trocamos. Lembro do sorriso estampado no seu rosto, depois do nosso primeiro beijo. Na segunda semana, recebi a sua segunda ligação.  O telefone tocou, e eu corri desesperadamente para atender, quando tirei-o do gancho, uma voz suave falou : "-Amor?". E eu, na mais pura leveza, respondi: "-Anjo!". E nós rimos, trocamos ideias, e marcamos de nos encontrar. No dia seguinte, juramos fidelidade, um ao outro. Em segredo. Sem ninguém por perto. E ficamos assim, a nos reconhecer por apelidos, cheiros, e olhares. Estávamos enfim felizes, e em paz, quando, por nossa infelicidade, veio a terceira semana. Nela, sem nenhuma alternativa, e sem nós querermos, o destino fez a mera injustiça de nos separar. Desde aquele dia, não nos falamos mais. Não houve despedida, último beijo, abraço, olhar, sorriso, última palavra. Não. Nada disso aconteceu. Simplesmente, acabou, como não era pra acabar.
Agora, eu te vejo daqui, do outro lado da rua, você quase no horizonte, a todo instante olhando para trás à me observar. 
Imediatamente, bateu a louca vontade de gritar seu nome, e gritei. E você, sem pensar duas vezes, olhou para trás, e correu em minha direção. Corríamos apressadamente, como se não quiséssemos perder mais tempo. Quando chegamos à centímetros de proximidade, viajamos no encontro dos nossos olhares, que abriram novamente os nossos sorrisos, que na junção de tudo, fizeram-no viajar longamente no nosso velho e delicioso beijo. Ah, aquele momento não teve fim. Não teve não. Vivemos ali. Moramos no abrigo, nos aquecemos no calor, nos sentimos seguros, tudo exatamente em um único lugar... No nosso beijo. Morremos ali. 

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